Entrevista Jasminy de Assis
A convidada da semana é a assistente social Jasminy de Assis: Inteligente, de um astral contagiante, dona de opiniões fortes e de um discurso coerente ela topou bater um papo sobre feminismo, auto estima e empoderamento da mulher.
Confira a entrevista.
Pergunta 1. Me explique sobre o seu ponto de vista o que é o feminismo?
Resposta.: O feminismo é a emancipação de gênero. É a busca da igualdade de direitos contra a ruptura do patriarcado. O feminismo é um ato revolucionário de mulheres que cansaram de ouvir, ver, sentir julgamentos e resolveram mostrar pro mundo que podem ser o que quiserem ser... é o caminho da liberdade!
Pergunta 2. Você é assistente social e sempre vejo nos seus story e publicações sobre empoderamento, feminismo e sororidade. Na sua opinião porque é que continua a ser importante ser feminista nos dias de hoje? Por onde é que se pode começar?
Resposta.: Sou Assistente Social e o meu campo de atuação onde tenho experiência sempre procurei levantar causas importantes e necessárias de serem rompidas. Especificadamente, na área da proteção especial da assistência social pude trabalhar com reparação de danos á respeito de mulheres que sofriam com relacionamentos abusivos (violência física e psicológica) e mesmo que o feminismo hoje tenha muitas críticas negativas de pessoas que realmente não procuram saber sobre o idealismo do conceito/movimento, sobre a nossa luta histórica de mulheres e apenas sabem reproduzir o que a cultura do patriarcado faz de melhor: criticar mulheres, eu sempre segui o caminho do empoderamento feminino e a reconstrução da auto estima, tanto no meu ambiente de trabalho, nos atendimentos, palestras, grupos, quanto na minha vida pessoal, pois acredito na importância do movimento estar totalmente ligado ao conhecimento da mulher de saber do seu poder enquanto parte da sociedade. Eu nunca usei a palavra feminismo no meu campo de trabalho, mas sempre levantei a causa sem precisar citar, utilizando tudo que o movimento me fez ser até aqui e que eu me sinto na obrigação de reproduzir pras mulheres. O feminismo nos dias de hoje é muito importante porque estamos caminhando pra regressão, caracterizado pelo conservadorismo fruto de um sistema patriarcal e isso coloca em risco toda nossa luta histórica e tudo que já conquistamos. É necessário resistir, é ideal buscar conhecimento, é justo nos unirmos, uma pelas outras.
Pergunta 3. Você é uma mulher linda! Com fotos no Instagram de tirar o fôlego! Sempre antenada a moda e tendências, como você acha que a moda pode contribuir para o empoderamento feminino?
Resposta.: O campo da moda é um sistema excludente e que prioriza o padrão de beleza definido como perfeição um corpo magro. Acho que a primeira coisa que devemos falar é sobre PADRÃO. O que é padrão? A MAIORIA. Qual o biotipo da mulher brasileira? Quadril largo, bunda grande, perna grossa. Manequim 42 á 48. Esse é o padrão brasileiro. Porque seguimos o padrão de outros países se nós que somos a maioria? Não nos identificamos e não somos representadas na mídia, nas passarelas, nas propagandas, nas novelas, nos programas de TV porque a indústria da moda reproduz a separação de roupas x roupas plus size, como se o plus fosse "anormal" e o resto "roupas normais". O ideal seria se a moda e a industria de vestuário tivesse a consciência de que A MAIORIA sofre exclusão porque o SISTEMA é preconceituoso de uma forma que, a necessidade de lojas abrirem para venderem roupas especificamente pra pessoas gordas/acima de um "peso ideal", já que, a moda não gera igualdade.
Pergunta 4. Me fale francamente: como uma mulher pode se empoderar ao se olhar no espelho, se sentir sexy, a despeito do peso, estrias ou cicatrizes?
Resposta.: O empoderamento é uma construção diária de amor próprio e a desconstrução diária da pressão da estética e da sociedade relacionado a perfeição. Mulheres precisam entender que estrias, celulites, cicatrizes fazem parte de sua história, de sua construção até aqui. É necessário a normalização dessas marcas no corpo que fazem o conjunto do que somos e que segue um caminho contrário das indústrias de estética fruto de um sistema capitalista nocivo em que a mulher tem que atingir a perfeição e vive frustrada por nunca atingí-la. O ato de acordar, se olhar no espelho, se chamar de " linda, gostosa, maravilhosa" ele tem que ser constante, pois acredito no poder da palavra, do exercício de acreditar no que se fala repetitivamente. Não são todos os dias que vamos nos achar deusas do universo mas devemos criar a consciência de que nossa beleza é única, e que somos incríveis do jeito que somos, com nossas particularidades e diversidades. Muitas vezes nos sentimos bem com o que somos pela nosso exercício de empoderamento e as pessoas incomodam mais com a nossa aparência do que a gente mesma, já pensaram que isso pode ser um problema dela, da sociedade de não se amar, não se aceitar? E aí a pessoa/a sociedade deposita a frustração dela toda em você. O ideal é nos importamos com a nossa opinião, o que queremos, o que sentimos, o que gostamos e o que nos faz bem e mandar um belo FODA-SE pra sociedade.
Um FODA-SE pro padrão de estética excludente.
Eu acredito que as nossas relações sociais fazem toda diferença pro exercício do empoderamento, visto que pessoas que você convive ou que você segue nas redes sociais, que aparentam suas características, faz com que você se sinta mais aceito, que você se identifique, se sinta representada e que pertence a esse espaço. O exercício de se amar independente do que os outros vão achar é libertador, eu me sinto sexy mesmo se os outros não me acharem e tá tudo bem. A segurança e a confiança da mulher por ela mesma faz ela ser desejada pelas pessoas, seja como atrativo sexual ou como exemplo a ser seguido.
Pergunta 5. Para as mulheres que estão solteiras, vale o “antes só do que mal acompanhada.” E estando só, como ser feliz sozinha? Os homens ainda têm medo de mulheres independentes?
Resposta.: A teoria do antes só do que mal acompanhada VALE MUITO! Quando uma mulher atinge um determinado nível de auto estima/ feminismo/empoderamento feminino, ela tem conteúdo e experiências vividas no passado de relações amorosas que ela não quer mais pra vida dela e que sabe que não merece passar por aquele tipo de vínculo mais. Qualquer pessoa antes de se relacionar com alguém precisa saber apreciar sua própria companhia, ela precisa se amar e precisa estar inteira para uma nova relação. Eu acredito que chega uma determinada fase na nossa vida em que temos mais cautela e exigência sobre o tipo de pessoa que queremos nos relacionar, que já não acreditamos que os opostos se atraem, porque gera muitas discussões e isso desgasta, que queremos pessoas completas e que nos somam, nos agregam e que combine com o nosso jeito de viver, pensar, agir, amar.
A sociedade enxerga a solteirice da mulher como um fracasso, como se ela tivesse a obrigação de estar com alguém numa relação falida simplesmente pra cumprir tabela do que é imposto e julgado perante a mulher. Eu sou livre e me sinto amada por todos que me cercam, e assim que alguém chegar pra agregar na minha vida e também inteiro, como eu, será muito bem recebido por esse coração aqui. A independência feminina financeira vejo que já é um fator que está sendo digerido pela sociedade, já que os jovens de hoje em dia, em sua maioria, já tem a mentalidade de que "as duas pessoas" precisam trabalhar pra poder conquistar e realizar planos, sonhos.
Penso que as pessoas já enxerguem que é necessário essa evolução. Porém, sinto que o ego masculino dominador se sente inseguro se a mulher ganha mais ou possui um cargo de poder, mas isso não são todos casos. Eu, por exemplo, costumo me relacionar com parceiros que vão ficar felizes com minhas vitórias e sempre me impulsionar pra crescer, evoluir juntos. Grande parte dos homens se sentem ameaçados quando a mulher se sente segura, confiante e dona de si. Então acredito que a dependência x independência emocional seja um desafio maior para ser quebrado na atualidade. Visto que ninguém é sujeito de posse de ninguém e que podemos ser livres e respeitar o outro dentro de uma relação saudável.
Pergunta 6. Vivemos em uma época onde a representatividade é muito importante, bom eu segurei até o final pra falar sobre isso, mas você tem um pequeno Instagram onde conversa com essas mulheres que passam por esses dramas que conversamos a cima, será que não é hora de transformar esse “pequeno” em algo grandioso?
Resposta.: O intuito do @guiadeumcorporeal nasceu de um momento de fragilidade muito grande nessa pandemia que estamos vivendo e senti que eu e as mulheres que me cercam estávamos mais vulneráveis relacionados a sentimentos de fracassos, inutilidades, baixa estima devido ao tédio, poucos cuidados físicos e mentais. Já que muita gente parou de ir no salão de beleza, na terapia, na academia e lugares onde fazem se sentir melhor a saúde do corpo e da alma. Eu resolvi divivir o conteúdo que procurei ter até aqui enquanto mulher e assistente social para mulheres que me cercam e que já faço esse tipo de diálogo diariamente via direct ou whatsapp ou no trabalho. Primeiramente eu achei que deveria fazer um conteúdo único que fosse pra todas elas e que eu me sentisse mais a vontade de falar sabendo que tenho mais intimidade com essas mulheres. Acredito que minha dificuldade em falar com a câmera seja superada no decorrer da prática e que o meu intuito seja chegar em outras mulheres que também precisam me ouvir e que vão se sentir representadas por mim. Acredito no meu potencial de conteúdo e de transformação de vidas, acredito na representatividade que eu possa ter e elevar os níveis de empoderamento de muitas mulheres e acredito que esse seja meu propósito em vida, seja no âmbito profissional ou pessoal, impulsionar mulheres.
Pergunta 7. Queria que você deixasse uma mensagem pra essas meninas e mulheres que ainda não conseguiram florescer por conta do padrão estrutural de beleza, da competição feminina que ainda acontece e por falta de representatividade de mulheres reais na mídia.
Resposta.: A mensagem que deixo é pra todas vocês serem felizes no processo, hoje! Se vocês sentem a necessidade de mudar por algum motivo acho que isso é uma escolha de vocês e é isso que eu defendo, corpo livre! mas se você se sentir bem e feliz do jeito que está, siga plena! Só não se sinta escrava de um padrão de estética que gera utopia da perfeição e que se impõe como o certo. O certo é ser feliz da maneira que quiser com o corpo que tiver. A respeito da rivalidade feminina eu acredito que seja um problema interno de insegurança e que o machismo utiliza como arma para incentivar, porque imagina só se todas nós nos unirmos e conseguíssemos enxergar os nossos privilégios e não privilégios, o nosso lugar de fala e nos colocássemos no lugar da outra mana, da história, da vivência e da realidade que ela vive? Não seria incrível? Sim, o nome disso é SORORIDADE, esse é o caminho.
Nos acolhermos como um forte elo, sermos representatividade uma pelas outras, sermos colo, ouvidos e abraços.
A união das mulheres desfortalece o patriarcado e coloca o ego masculino no seu devido lugar. É necessário assumir as nossas escolhas, perdoar os nossos erros, colher os nossos ensinamentos e confiar nos nossos passos. Tenham coragem de serem vocês, resistam! Eu termino aqui dizendo que eu tenho muito orgulho de tudo que me tornei, de ter um corpo fora do padrão cheio de curvas e histórias e ser um mulherão desejado, principalmente, por mim mesma. A nossa aceitação necessita de representatividade e identificação com as outras, então se vocês precisarem se espelhar em alguém eu estou aqui para dar o primeiro passo: contem comigo deusas!



0 comentários